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São Miguel do Gostoso

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Abril-2011

Gostoso pela igualdade: uns mais iguais que outros

Heldene Santos





A preocupação com a comunidade de São Miguel do Gostoso é cada vez mais crescente e igual, apesar de ter uns querendo direitos mais iguais que outros. Um exemplo disso, está espelhado numa situação vivida por seu Luiz França e outros pescadores, ao ser comunicado por um empreendedor com estabelecimento em uso da praia, simplesmente, que, no lugar que sempre desenvolvia sua atividade econômica, ele não poderia mais pescar. Na praia mesmo! Patrimônio público e natural.

 

 

 

 

 

 

 


(Foto Fernando Dias)

Situações como estas já tem sido comuns entre diversos moradores da comunidade de São Miguel do Gostoso nos últimos tempos. Até ser solicitado para que se retirasse do espaço público da praia, por haver um dito chapéu de sol, já foi feito a populares. Por quê? Por que não estariam consumindo, conforme conta alguns, que foram abordados por funcionários de empreendimento local, embora exemplos como esses sejam casos isolados.

São Miguel do Gostoso é uma comunidade de forte potencial para o turismo e é imprescindível que o seja. Muitos e muitos turistas visitam uma vez e se apaixonam. Até vai embora já pensando em voltar. Muitos voltam, e uns voltam até para ficar. E ao ficar se vestem do espírito gostosense, se misturam e compartilham fortemente o amor por esta terra.

É um lugar para se visitar, ir e voltar sim. Tem um por do sol que fascina, um mar que nos domina, um lual de amanhecer. Pessoas que na humildade são ricas de acolhedoras e que muito se deixa ser conquistada.

Mas também é terra tradicionalmente do agricultor e pescador, pessoas alegres e festivas, cheias de hábitos que hoje se retrata num elo entre a tradição e a modernidade. Nesse momento, por exemplo, é chegada a páscoa, e a comunidade aguarda o momento de reunir pessoas e fazer a procissão ao Cristo, adultos e jovens, na sexta-feira santa, ainda saem a visitar seus pais, padrinhos e parentes para pedir que os abençoe. Mulheres de nome Maria, ainda se preservam a guardam-se à penitência das quintas e sextas-feiras que se considera o sofrimento da morte de Jesus, enquanto outras também preservam as orações da Via Sacra.

Também garantem a tradição profana, ainda na cidade e principalmente no campo, alguns preservam os festejos o sábado da aleluia, com as festas iniciando a meia noite e indo até o amanhecer, inclusive com a malhação do judas.

Entre essas, várias outras características é marcante dos hábitos locais: a festa junina até o amanhecer, a festa do padroeiro até o amanhecer, inclusive cada comunidade do município tem a sua, festas beneficentes, festa de emancipação política, esta a mais recente, originada há 18 anos, o carnaval, entre outas... Até o amanhecer.


(Foto Fernando Dias)

Por falar em carnaval, esta tem sido a mais apreciada nos últimos tempos por alguns empresários que querem calar Gostoso. Até decidir se as pessoas ficam bêbadas ou não. E não só carnaval. Em setembro de 2010, com o objetivo de garantir o direito de preservar a Festa do Gostoso (seja de padroeiro ou não, mas sobretudo do povo) a comunidade teve que articular e fazer um abaixo assinado e apresentar ao Ministério Público.

Chegado o carnaval de 2011, mais uma vez se sobressalta, empresários que construíram seus empreendimentos na Praia do Gostoso, com a intenção de controlar o horário que as pessoas deveriam calar-se e ir dormir, inclusive com um compartilhando um e-mail entre empresários propondo a criação de uma Lei do Psiu. Isso mesmo uma LEI DO PSIU em Gostoso, pois segundo ele, Gostoso teria que ter o PSIU para ser uma cidade de pessoas civilizadas.

Nesse momento os e-mails saem do grupo de sempre e é aberto para a comunidade que tomou conhecimento dos procedimentos. Não sabiam alguns desses, portanto, ou alguns fingem não saber que, ao sair o referido e-mail, cerca de 150 pessoas já haviam se reunido com o Prefeito da cidade para se colocarem, mostrando e defendendo seus pontos de vista, como cidadãos que, embora esqueçam, também são de direitos e, paralelamente a esse evento, diversos outros manifestos também já aconteciam.

Não se trata aqui de nenhuma crítica ao fato de outras pessoas quererem defender seus interesses, como controlar o som e o tempo das festas, pois também é de direito, mas como foi colocado em resposta ao já referido e-mail, e para a população, é que se há realmente preocupação com a comunidade, esta começaria por respeitar também a opinião das pessoas do local, e, seja, com festas longas, com festas curtas, com festas ou sem festas, seja com carnaval ou não, seja um psiu geral ou com exceções, deveria-se, ouvir as pessoas, negociar, acordar e isso sim seria equilíbrio, mas não distorcer o sentido da participação de quem pensa diferente.

O mais interessante foi que, no momento em que, não sendo “convidados” para isto, moradores se colocaram a vóz, as pessoas que se dizem preocupados com a comunidade rotulou isso como tumulto, porque o silêncio é normalmente o mais cômodo, principalmente para aqueles se veem dono e com o poder da palavra, inclusive, se desviando de suas próprias palavras e se fazendo de maus entendidos.

Recentemente, até, um dos senhores que se diz também se diz preocupado com a comunidade, mesmo que também só defenda o que favorece seus empreendimentos, e se coloca como se nada tivesse a ver com as tentativas de prensar as festas, recebeu um recado de um outro que mais provoca de fora, de que articulasse procurador, advogado, para que tomassem providência a fim de (esqueceu, por enquanto, o Psiu!) garantir um novo TAC (Termo de Ajuste de Conduta), mais uma vez sem o conhecimento da população.

Em fim, se há preocupação com a comunidade há respeito pela vóz da população local. Que cale quem tiver de se calar, mas que uma proposta de Lei do Psiu, assim como qualquer coisa que diga respeito à comunidade, deve ser discutida com a comunidade. Se a comunidade tiver de contar com suas festas, seja quatro, dez ou nenhuma, deve-se, primeiramente levar em conta, que antes de tudo de novo que há, a comunidade já existia com seus hábitos, pessoas e festas e não pode simplesmente ser modificada porque um, dois ou três empresários se sentem com seus empreendimentos prejudicados.

A população local, da tradicional vila de pescadores, diante do poder aquisitivo de poucos, já têm que caminhar distâncias para chegar às praias, pois caminham para ocupar apenas a periferia da cidade e já nem tem condição de adquirir, sequer, um pequeno pedaço de terra, pois com a especulação imobiliária, não dão conta dos altos preços e ainda quando se posiciona diferente, é tumulto. Isso mostra a necessidade de pensar não apenas o turismo, pois que ele não atende a todos.

Que sejam bem vindos os turistas e visitantes, e que venham mesmo, mas os empresários pousadeiros precisam ser honestos com seus clientes e dizerem de quando a comunidade estará em festa e quando será o bom momento do descanso, pois a característica de Gostoso não é feita apenas de Pousadas cheias, mas principalmente daquilo que é do seio da comunidade. Sobretudo deve entender-se que Gostoso não é feito só de praias e empreendimentos empresariais, mas também sociais e culturais, de uma diversidade de características a serem valorizadas, e quem vive do turismo precisa conciliar seus discursos com os demais, ou vice e versa, de modo que os dois lados se unam para dá a comunidade, mesmo na diferença, uma só vóz.

 

 
       

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