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São Miguel do Gostoso

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Quem resgatou a cultura popular de São Miguel do Gostoso?





Atualmente a população de São Miguel do Gostoso se ver diante de uma interessante questão: quem resgatou a sua cultura popular. Pois quanto mais o tempo passa mais responsáveis pelo resgate da cultura aparecem e menos as pessoas sabem quem são.

 

 

 

 

 

 

 

 

Até eu me deparei com essa crise de consenso. Primeiramente, tenho visto com frequência ser citado o Pe. Fábio, padre da área há 3 anos, como o homem que resgatou a cultura popular de São Miguel do Gostoso. Nas atividades ligadas ao Pe. Fábio foi possível identificar o pastoril e o boi de rei. Achei interessante por que até o ano anterior da chegada do padre na cidade eu já via o boi de rei se apresentar como uma atividade ligada a secretaria municipal de ação social. E retrocedendo mais um pouquinho na linha do tempo, lembrei que em 1999, numa comunidade do campo chamada de Baixinha dos França, já vi o boi de rei se apresentar, sob a coordenação de D. Francisca Pinheiro, segundo ela mesma. Com o pastoril não foi diferente, não o vi em 2009, mas estou certo da sua existência quando passei por aqui no natal de 2005 quando também já ouvi falar da sua realização com o apoio da prefeitura local junto à secretaria municipal de educação.

Hoje o que vemos. O boi de rei e o pastoril (isso mesmo. O mesmo boi de rei e pastoril) acontecendo com o grupo da Melhor Idade da Casa das Famílias ligada à Secretaria de Ação Social. E com as mesmas pessoas. No Espaço Tear, alguns senhores do boi de rei (os mesmos da Casa das Famílias) procuram com incentivo do Ponto de Cultura repassar o ritual para um grupo de crianças e assim ficar criado um outro grupo. Sim, um outro grupo porque o boi de rei já existe.

Do mesmo modo o pastoril. Senhoras do grupo da Melhor Idade e tal. Ambos os grupos tenho ainda visto atuarem sob a coordenação de Francisco dos Anjos (Coordenador de projeto da Secretaria de Ação Social) e Viviane Araujo (Coordenadora da Casa das Famílias), segundo eles, há pelo menos quatro anos.

Há ainda quem diga que o boi esteve adormecido por uns tempos e que foi resgatado em 2005 por iniciativa da Prefeitura Municipal que além de estimular a (re)união do grupo cuidou de providenciar toda produção material necessária.

Segundo o Sr. Zé Marciano, ele que foi o grande protagonista do boi de rei em Gostoso, o boi nunca morreu. A Sra. Francisca Pinheiro, garante que foi a responsável pela promoção e manutenção do grupo por muitos anos, e desde bem antes de 2009, e que o boi de rei, pelo tempo em que ela esteve de frente foi uma atividade ligada à Secretaria Municipal de Educação, embora que por parte desse tempo ela tenha sido secretária de saúde.

Desde fevereiro de 2009, a Associação de Meio Ambiente, Cultura e Justiça Social, a AMJUS, articula a realização de um projeto de arte-educação na perspectiva de desenvolver, através de pesquisa, a descrição de manifestações culturais distintas e existentes ou extintas em São Miguel do Gostoso e contribuir através do trabalho educacional para o renascer ou a continuidade das manifestações descritas pela pesquisa, tendo como destaque a Capelinha de Melão, o Coco de Roda e, inclusive, o Boi de Rei. Pesquisa já iniciada em 2009. E ainda bem que a parte da pesquisa que compreende a descrição do boi de rei é coordenada por Francisco dos Anjos que já trabalha com o grupo existente, há quatro anos.

A AMJUS, ao observar isto, tem até se questionado se continua com o projeto de desenvolver o trabalho educacional com crianças através da cultura do boi de rei, embora seja uma cultura popular e o coordenador do projeto seja o mesmo Francisco dos Anjos já citado, até porque ficou conhecido recentemente que o Ponto de Cultura do Espaço Tear já tem uma proposta semelhante, excetuando a parte de pesquisa e descrição. Nada de mais. A AMJUS só deseja não contribuir com essa crise de consenso sobre quem resgatou a cultura popular de São Miguel do Gostoso.

Em fim, é São Miguel do Gostoso uma comunidade rica em suas manifestações culturais, e já foi mais, pois que nas entrevistas com os mais antigos moradores identificamos manifestações diversas como pastoril, boi de rei, capelinha, o drama, as baianas... que independente de quem queira ter resgatado, ou quem tenha sido levado a ser visto assim, ela não existirá e nem será resgatada se não tiver o povo que fala, que a descreve e que canta.

Heldene Santos

 

 
       
   

Comentário de Caio Oliveira:
8-Fev-2010

Achei muito interessante este texto de Heldene. Eu já havia observado isso também. É muita gente resgatando a cultura de Gostoso. Acho que tem até umas espertesas nessa situação, não sei. Quando vi o título do texto logo me chamou a atenção...

Mas percebi que Heldene começa um texto a partir de uma e encerra o texto com tanta interrogação quanto começou. Não é que o padre diga que foi ele ou a prefeitura diga que foi ela, ou outros e outros digam a mesma coisa... Mas acontecem de forma que as coisas se confundem. Deveriam registrar melhor as coisas.

Estou com a AMJUS, que ainda não conheço, mas acho melhor ela ficar fora de assunto mesmo. Bem pensado!

E parabéns pelo texto e parabéns ao proprietário do site. Muito bom um trabalho desse tipo.

 
       
   

Comentário de Solange Rodrigues:
10-Fev-2010

Olá Heldene.

Acho que você tocou num ponto muito sensível de São Miguel do Gostoso, pois mexe com vaidade, mas que realmente, embora uma questão simples, tem realmente chamado a atenção de muitos.

Pensam que ninguém havia percebido? Perceberam sim. A gente não sabe se é inocência de um esperteza de outro, mas acontece. Alguém sempre querendo ser responsável pelo resgate da cultura de Gostoso.

No meu ponto de vista tem sim grandes responsáveis pela promoção da cultura, e da cultura que já existe até porque eu acho que resgatar mesmo dá mais trabalho, né? Percebi que no texto, na verdade Heldene não acusa ninguém diretamente de que tenha dito “eu resgatei a cultura popular”. Mas há um jogo de interesses sim, ou dos seguidos ou dos seguidores.

Parabéns pelo texto!

 
       
   

Comentário de Edu Massa:
9-Fev-2010

O texto sobre quem resgatou a cultura popular de São Miguel do Gostoso me chamou atenção. Boa pegada essa.

É que vemos na boca de uns outros que tal pessoa resgatou a cultura popular de São Miguel do Gostoso. Até já foi visto em jornal viu Heldene? Não sei se você sabe.

E aí quem esteve vendo as coisas de perto pode perceber que as manifestações culturais "em resgate" são sempre as mesmas que já existiam. Eu acho mesmo que Gostoso tem muita coisa pra resgatar em vez de ficarem pessoas na disputa fria de quem resgatou o quê.

Sou do pensamento que diria: "Dai ao padre, a Francisca Pinheiro, à prefeitura, a seu Marciano e outros e outros o que realmente são deles. Dai ao povo de Gostoso o que é do povo de Gostoso". Até porque essa "cultura" ja existe aqui faz tempo.

 
       
   

Comentário de Antônio Ferreira:
11-Fev-2010

Quanto a essa questão de que resgatou a cultura popular de São Miguel do Gostoso, eu acho que a realidade vai até mais do que Heldene procurou mostrar.

O boi de rei e o pastoril existe há muito tempo aqui, quanto ao pastoril eu não sei bem mas quanto ao boi de rei ele existiu há muito tempo e a senhora Nenen de Lala mexeu no boi e o ajudou a mante-lo vivo.

E mais, a secretaria de educação de Gostoso foi mesmo uma grande responsável pela manutenção do boi de rei, e sem essa de que há quem diga. Foi verdade.

Agora apareceu esse Pe. Fábio, muito boa pessoa, mas ta se aproveitando sim, agora pega o boi de rei mostra pra lá, mostra pra cá, e aparece como o grande responsável pelo resgate da cultura de Gostoso.

E também não é que o povo diga não Heldene, porque ele vê o povo dele dizer e fica caladinho é claro. E isso já foi estampado até no jornal de Natal e na revistinha Guajiru. Tenho muito respeito pelo padre, mas isso não é legal.

 
       
   

Comentário de padre Fábio dos Santos:
05-Maio-2011

Bom, teria apenas a dizer franco e fraternalmente que não resgatei a cultura popular em nossa cidade. Ademais essa expressão não é mais usada. Hoje é comum a expressão valorizar e difundir a diversidade cultural local e/ou brasileira. Essa valorização e difusão da cultural popular de São Miguel do Gostoso passa primeiramente por todos os nossos mestres e mestras do Boi de Reis e Pastoril - os primeiríssimos protagonistas deste processo e, de todas as demais sujeitos de todas as formas de cultura do nosso município e, aqueles e aquelas que no Poder Público ou na Sociedade atuam na promoção das manifestações culturais. Muitas pessoas se destacam neste processo.

O que eu junto com muita gente de Gostoso fiz não foi nada de novo. O que houve na verdade foi uma pedagogia, que inclusive já tinha tido alguns anos atrás, de trabalhar umas de nossas manifestações culturais com crianças, adolescentes e jovens como forma de afirmar nossa memória e identidade cultural e de transmitir para novas gerações, através de nossos mestre vivos, a promoção, garantia e defesa de uma das nossas expressões culturais. Agora se há uma novidade aqui é, sem sombras de dúvidas, a pedagogia de emancipatória, como diria o grande mestre Paulo Freire, de ver a o exercício dos direitos culturais, onde as pessoas são sujeitos de direitos, protagonistas e, na perspectiva de transformação individual e social.

Finalmente, podemos afirmar tranqüilamente que ninguém é pai ou mãe da criança. Somos todos nós participantes e responsáveis por nossa cultura. Ela é resultado do engajamento e compromisso de todos e todas. Muito obrigado e parabéns por teu trabalho neste espaço da web, na secretaria municipal de educacão, na igreja e na ong amjus.

Grande abraço a vocês e aos leitores e leitoras.

Fábio dos Santos

 
       

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